Cuidar Vai Além Da Sala De Aula: Palestra Sobre Prevenção Ao Suicídio Reúne Famílias No CERC
Bem-Estar do Aluno
11 / junho / 2026
14 minutos
Por que uma palestra sobre prevenção ao suicídio?
O CERC abriu suas portas para uma conversa que muitas famílias precisam ter, mas que com frequência, não sabem por onde começar, a saúde mental dos adolescentes.
A convite da escola, a bombeira Vanessa conduziu uma palestra voltada aos pais e responsáveis do Ensino Médio sobre prevenção ao suicídio na adolescência. Esse encontro reuniu famílias que chegaram com dúvidas, preocupações e, acima de tudo, com vontade de entender melhor como proteger seus filhos.
Essa não é uma iniciativa pontual. O CERC tem como prática constante a organização de palestras e rodas de conversa que abordam temas fundamentais para a saúde mental e o desenvolvimento integral dos adolescentes. Bullying, racismo, diversidade, ansiedade, autoestima, uso de redes sociais e muitos outros são assuntos que a escola leva a sério e coloca em pauta de forma intencional, ao longo do ano letivo, tanto para os estudantes quanto para suas famílias. A palestra da bombeira Vanessa é mais um capítulo dessa construção contínua.
A escolha do tema não foi aleatória. O período que vai do final do Ensino Fundamental ao término do Ensino Médio coincide com uma das fases mais intensas do desenvolvimento humano: a adolescência. É nesse intervalo que surgem as primeiras grandes pressões sociais, os conflitos de identidade, as desilusões afetivas, as cobranças por desempenho acadêmico e, frequentemente, os primeiros sinais de sofrimento psicológico que, se não acolhidos, podem se aprofundar.
Os dados sustentam essa preocupação. Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil. Falar sobre isso não é dramatizar, é prevenir.
O que a bombeira Vanessa trouxe para as famílias?
A palestrante abordou o tema com uma combinação de rigor técnico e sensibilidade humana. Profissional com experiência em situações de crise, ela trouxe aos pais uma perspectiva que vai além do senso comum, e que, muitas vezes, contradiz mitos enraizados.
Os mitos que precisam ser desmontados
Na palestra, um dos momentos mais marcantes foi a desconstrução de crenças populares que, embora bem-intencionadas, podem ser prejudiciais. Entre os principais:
“Falar sobre suicídio incentiva o ato” — Na verdade, o contrário é verdadeiro. Pesquisas em saúde mental mostram que abordar o tema de forma cuidadosa e empática reduz o risco, porque oferece ao jovem um espaço seguro para expressar o que sente sem julgamento.
“Quem fala que vai se matar não faz” — Esse é um dos mitos mais perigosos. Qualquer verbalização de pensamento suicida deve ser levada a sério, sem exceção.
“É coisa de fraqueza” — Sofrimento psíquico intenso não é fraqueza de caráter. É uma condição que precisa de suporte, assim como qualquer outra questão de saúde.
Os sinais de alerta que todo responsável precisa conhecer
A bombeira Vanessa orientou as famílias a estarem atentas a mudanças de comportamento que podem indicar que um jovem está em sofrimento:
- Isolamento social repentino, especialmente de amigos próximos
- Queda brusca no desempenho escolar sem causa aparente
- Mudanças no padrão de sono e alimentação
- Comentários sobre “não ter saída”, “ser um peso para todos” ou sobre morte
- Presentear itens queridos sem motivo claro
- Pesquisas em dispositivos sobre métodos de autolesão
A mensagem foi clara: não é necessário ter certeza para pedir ajuda. A suspeita já é suficiente para agir.
O que fazer; e o que não fazer
A palestra também trouxe orientações práticas sobre como os pais devem se posicionar diante de um filho em sofrimento:
Faça:
- Ouça sem minimizar: evite frases como “isso vai passar” ou “você tem tudo para ser feliz”;
- Busque ajuda profissional sem demora — psicólogo, psiquiatra, CAPS ou UBS;
- Mantenha a presença mesmo que o jovem pareça não querer contato.
Não faça:
- Não prometa segredo se a situação envolver risco de vida;
- Não deixe o adolescente sozinho em momentos de crise;
- Não trate o assunto como tabu em casa.
Como o CERC trabalha o tema diariamente?

A palestra da bombeira Vanessa não foi um evento isolado. Ela faz parte de uma postura pedagógica que o CERC vem construindo com consistência: a de que educar é, antes de tudo, cuidar.
A educação socioemocional como pilar do projeto pedagógico
No CERC, a formação dos estudantes não se limita ao desenvolvimento de competências cognitivas. O projeto pedagógico da escola reconhece que um aluno que não está bem emocionalmente não aprende com plenitude, e que o papel da escola vai muito além de transmitir conteúdo.
A educação socioemocional é o conjunto de práticas, habilidades e valores que ajudam crianças e adolescentes a reconhecer e gerenciar suas emoções, desenvolver empatia, construir relacionamentos saudáveis, tomar decisões responsáveis e lidar com adversidades. Não se trata de um componente curricular isolado, mas de uma forma de ser escola.
O que fazemos no dia a dia?
No CERC, o trabalho socioemocional se expressa em diferentes dimensões:
Escuta ativa nas relações cotidianas
Os professores, inspetores, coordenadores e, especialmente, as orientadoras educacionais do CERC desempenham um papel central nesse processo. São elas que mantêm um olhar atento ao cotidiano dos estudantes, acolhem demandas emocionais, mediam conflitos e articulam os encaminhamentos necessários, seja para a família, seja para profissionais de saúde mental. Não raramente, um adolescente procura a orientação educacional quando não consegue verbalizar o que sente para mais ninguém. Esse vínculo de confiança é construído com cuidado e é insubstituível.
Espaços de diálogo e reflexão
Rodas de conversa, dinâmicas em grupo, atividades orientadas pela equipe pedagógica e projetos interdisciplinares são ferramentas que o CERC utiliza para ampliar a consciência emocional dos estudantes. A escola entende que o adolescente precisa de espaços onde possa falar sobre o que sente sem medo de ser julgado.
Formação continuada dos educadores
Os professores e funcionários do CERC participam de formações que incluem, entre outros temas, identificação de sinais de sofrimento emocional, manejo de crises em sala de aula e comunicação não violenta. Cuidar dos estudantes exige que quem cuida também seja cuidado e preparado.
Envolvimento ativo das famílias
A palestra desta semana é um exemplo de como o CERC entende a relação com as famílias: não como uma obrigação burocrática, mas como uma parceria essencial. O adolescente passa parte do dia na escola, mas vive a maior parte da vida em casa. Quando escola e família caminham juntos, o estudante se sente amparado em dois dos ambientes mais importantes da sua vida.
A saúde mental não tem dia fixo para aparecer na agenda
Uma das grandes apostas do CERC é tratar a saúde mental com a mesma naturalidade com que se trata a saúde física. Assim como um estudante pode ir à coordenação tirar uma dúvida, ele também pode procurar quando está se sentindo sobrecarregado, ansioso ou triste.
Essa cultura de cuidado não acontece por acaso. Ela é construída dia a dia, nas pequenas interações entre professores e alunos, nos avisos que percebem quando algo não está bem, nas conversas nos corredores e nas reuniões com famílias, como a que aconteceu na quarta-feira.
A responsabilidade compartilhada: escola, família e comunidade
Uma das mensagens mais importantes trazidas pela Vanessa é que a prevenção ao suicídio não é tarefa de um único agente. Ela depende de uma rede.
O adolescente que está em sofrimento precisa encontrar ao seu redor pessoas dispostas a ouvir, sem julgamento e sem minimização. Precisa de adultos que não fujam do assunto por medo de “dar ideia”. Precisa de uma escola que não enxergue a saúde mental como assunto exclusivo da família, e de uma família que não transfira toda a responsabilidade para a escola.
A prevenção acontece no vínculo. No olhar atento. Na pergunta feita com cuidado. No silêncio respeitoso de quem não tem todas as respostas, mas está presente.
O que os pais podem fazer a partir de agora?

Se você participou da palestra, provavelmente saiu com muitas reflexões. Se não pôde estar presente, queremos que estas informações também cheguem até você. Em ambos os casos, algumas atitudes simples podem fazer diferença concreta na vida do seu filho:
1. Abra o diálogo em casa
Não espere o momento de crise. Converse com seu filho sobre como ele está se sentindo, o que o preocupa, o que o faz feliz. O hábito da escuta constrói a confiança que será fundamental quando ele mais precisar.
2. Fique atento aos sinais
Adolescentes raramente pedem ajuda de forma direta. Aprenda a ler o que está por trás do isolamento, da irritabilidade, do desinteresse repentino.
3. Não tenha medo de perguntar
Se você suspeitar que seu filho está em sofrimento, pergunte diretamente. A conversa honesta protege, o silêncio, não.
4. Busque apoio sem culpa
Reconhecer que seu filho precisa de ajuda profissional não é sinal de fracasso parental. É sinal de maturidade e amor.
5. Cuide-se também
Pais que estão bem emocionalmente estão mais disponíveis para os filhos. Você também merece suporte.
Recursos de apoio em saúde mental
- CVV — Centro de Valorização da Vida: ligue 188 (24 horas, gratuito) ou acesse cvv.org.br
- CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): unidade de saúde pública para atendimento em saúde mental — consulte a unidade do seu bairro
- UBS (Unidade Básica de Saúde): ponto de entrada para encaminhamentos em saúde mental
- SAMU: 192 — em situações de emergência
- Em caso de risco imediato, vá ao pronto-socorro mais próximo
Nós continuamos juntos!
O CERC acredita que eventos como este não encerram uma conversa, eles a abrem. Queremos que as famílias se sintam à vontade para procurar a escola sempre que tiverem dúvidas, preocupações ou simplesmente quiserem compartilhar algo sobre a vida dos seus filhos.
Seguimos disponíveis, atentos e comprometidos com o desenvolvimento integral de cada estudante que passa por aqui, não apenas com suas notas, mas com sua vida.
